Talvez eu seja como as borboletas…

por myselfoutforme

Por muito tempo eu me escondi dentro de mim. Fugi de muitas coisas, me protegi de muitas pessoas e sentimentos. Estive dentro de minha casca e olhei o mundo por uma pequena fresta que era utilizada para a entrada e a saída do ar. Mas o tempo passa e as coisas mudam. Tudo mudou. Eu mudei. Talvez eu tenha crescido, ou talvez minha coragem tenha despertado. Tive vontade de enfrentar o mundo. De fazer parte dele. Finalmente me transformei em uma borboleta… Saí da minha casca. Fui ver o lado de fora, fui conhecer tudo ao meu redor. Avoada que sou, acabei voando por aí, sem destino, livre… e, de repente, me vi rodeada de amigos. E de alguns amores. E como me decepcionei com eles…
Depois de sofrer maus bocados, de me ver triste e sozinha eu resolvi voltar pro meu casulo. Lá eu também estaria sozinha mas protegida de tanta dor. Sentiria falta de algumas pessoas e da vida que descobri no meu exterior, obviamente… mas talvez a saudade fizesse mais por mim do que essa minha insistente e errônea permanência. Assim foi. Era como se eu estivesse em um processo de regressão. Desde borboleta até uma pequena lagarta…
O tempo que passei dentro de meu casulo me foi doído porém necessário. Ali pude pensar em como errei, em que errei. Pude refletir e enxergar quem realmente vale a pena. Mais que isso: pude cicatrizar as feridas que meu primeiro vôo me causou.
E o tempo foi passando… e aos poucos, talvez até sem perceber, eu fui saindo de minha casca novamente. Quebrando-a, destruindo-a. E agora, sem ter um abrigo fixo pra onde eu pudesse voltar se meu vôo não der certo novamente, eu me via com medo. Sentia frio. Mas mesmo com tanta insegurança eu descobri muitos passarinhos, joaninhas e até pequenos insetos que eu nunca tinha reparado. Sei que ainda sou uma borboleta imatura. Cometo erros e ainda caio pelo meio do caminho. Ainda tenho cicatrizes profundas em minhas asas. Mas pelo menos agora eu já consigo batê-las sem que haja dor e sei que tenho em quem me apoiar quando as coisas não forem muito boas. Percebo que, por mais que às vezes eu duvide… sim, eu sou forte. E se um dia eu de novo me machucar demais eu sei que, independente do tempo que leve, eu vou reaprender a voar.
E se me perguntarem se me arrependo desses meus perigosos vôos… Bem, eu direi que não. Se não eu nada conheceria desse imenso jardim que é a vida, se não nunca teria tido coragem de sair do meu casulo pela primeira vez. Quem sabe isso seja a vida… um eterno não saber voar necessário. (Larissa Xavier)

Anúncios