Quando morre um dragão

por myselfoutforme

Um Dragão pode existir uma eternidade

ou viver um único momento.

E em sua vida,

é capaz de conquistar mais tesouros

do que pode carregar consigo.

Ainda assim, é incansável:

Expande, irradia, fascina,

como o trovão que irrompe na tempestade.

Para o mundo,

o Dragão aparece como um vendaval

e some tão rápido como a névoa do amanhecer

que se desfaz com os primeiros raios de sol.

Não se deve tentar entender o coração de um Dragão,

porque ou ele é sábio ou é selvagem.

E em ambos,

sua voz sempre ecoa longe

e seu olhar vasculha a Alma de tudo o que vê.

Todo Dragão selvagem morre cedo.

Houve um que encontrou seu destino

ao invadir um mundo obscuro

onde a doença do medo consumia tudo que havia.

Primeiro, a descoberta.

E na noite brilhou uma nova estrela.

Depois, a fúria.

Ele apostou a vida na batalha

e descobriu que nem assim poderia vencer.

O céu desabou em forma de tempestade

e os trovões entoaram um canto de morte e solidão.

Por um momento,

o Dragão descobriu o medo

e algo em seu coração mudou.

Ao fim, a compreensão.

Ele entendeu o sofrimento da vida

e a dor de um poeta.

Sentiu a culpa do mundo

e sua fúria se apaziguou.

O temor e o fulgor, se apagaram.

E, imitando o céu,

aprendeu a chorar.

Cada lágrima que derramou

lavou sua Alma de tudo que tinha vivido.

E assim sentiu

que era o momento do Dragão selvagem morrer.

De joelhos, sentiu sua força escapar

e sua vida se consumiu.

E do ventre da velha criatura,

nasceu uma criança,

com a promessa de tornar-se Homem

e nele pulsar o coração do Dragão.

Afinal, os Dragões jamais morrem de fato

apenas se humanizam.

E onde existiu o ímpeto,

agora existe a prudência

que aos poucos se converte em perseverança

e assim o Homem abre espaço

para que nasça o Sábio Dragão

e tome posse de seu trono.

Todo Dragão de Sabedoria é imortal.

E dizem que cada trovão que grita na tempestade,

é a voz de um Sábio Dragão

que descobriu seu valor e encontrou a Verdade.

(Roger Alves)

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